sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



QUANDO O BEM DECLINA

            Ana Trajano

 

            Só mais alguns dias e 2017 já não será mais, passará a ser apenas um ato do frágil teatro humano no palco do tempo. Irá embora com uma certeza: nenhum outro ano  foi  tão próspero em datas para um suposto fim do mundo  quanto ele. Várias foram as previsões, mas o nosso planetinha, driblando todas as teorias da conspiração, continua de pé brincando na galáxia. O dia e a hora, como nos avisou o Mestre, só quem conhece é o Pai, aquele em quem tudo se move e tudo é, e, por isso, tudo sabe. Para que suas crianças - nós - não se desesperem, Ele prefere manter  segredo.


            O fim do ano, porém, não acabará com a teoria do fim do mundo. Ela permanecerá e, certamente, outras previsões e novas datas virão como algo esperado e, até certo ponto, ansiado por muitos, nestes tempos tão difíceis nos quais os acontecimentos diários nos deixam tão perplexos.


            Mas por que será que o homem comporta-se como se desejasse o fim do mundo? O mundo, ao que parece, é confundido com a realidade. O homem, desse modo, não deseja o fim do seu planeta -apesar de tudo fazer para destruí-lo  -mas o fim da realidade que criou, com coisas boas e outras extremamente desagradáveis.


            Entre as desagradáveis está sua decadência moral, ética, política, religiosa, etc. Esta, com efeito, chegou no nível da insuportabilidade. Estamos como que perdidos no meio do lamaçal. Perdidos, resgatamos da memória o que nos foi apresentado como solução para a nossa ruína histórica e cíclica: o fim do mundo com o dilúvio. Deus não acabou com a Terra, mas com a humanidade perversa, corrompida. O mundo, então, não é a Terra, mas o que está dentro de nós: a nossa visão limitada, simplista, egoista, presa à cadeia espaço/ tempo/ matéria, sobretudo a matéria.


            Quando falamos no fim do mundo, estamos de fato reconhecendo as nossas limitações, os nossos erros, a nossa degeneração - coisas contrárias àquele que nos criou e que é pura perfeição. Deus nos criou para ser perfeitos e, dentro dele, não suporta a imperfeição. No fundo, todos nós sabemos disso. Quando desejamos o fim do mundo, estamos, na realidade, reconhecendo o que há de imperfeito e corrupto em nós e desejando seu fim.


            No Bhagavad Gita, Krishna diz a Arjuna que, sempre que o bem declina, Deus desce à Terra para restaurá-lo. Não é por outra coisa senão por isso que estamos esperando a segunda vinda de Jesus.


 

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