terça-feira, 20 de setembro de 2011

CRÍTICAS A LEILA LOPES NOS ENVERGONHAM


A eleição da angolana Leila Lopes como miss Universo, feriu de morte o coração de racistas dos quatro cantos do mundo. A moça foi atingida por saraivadas de preconceito racial, via Internet. Tem forma pior de violência? De “macaca” foi chamada. Só que ao compará-la a uma macaca, esquecem seus agressores que estão pisando em suas próprias origens.  Desconhecem, talvez, a Teoria da Evolução, de Darwin. Um mínimo possível de conhecimento em Antropologia é suficiente para sabermos em que continente a vida humana começou! Mas “Mama África” é renegada, desde que, nos primórdios de nossa história, nos decidimos pelas miscigenações.
 A verdade é que a hipocrisia, por mais que doa admitir, é intrínseca à natureza humana. Somos hipócritas, e parece fazer parte do código genético do hipócrita querer levar vantagem. Não admitimos ser passados para trás, ainda mais por quem marginalizamos. Era assim no tempo de Cristo. A nossa hipocrisia encolerizou até mesmo o Nazareno.  Quando o assunto é violência, então, estamos sempre nos escondendo em erros do passado para justificar, ou deixarmos de ver os atuais. Que hipocrisia!
Exemplo? Séculos depois, continuamos olhando para a Idade Média como se estivéssemos em relação a ela numa situação melhor. Como podemos julgar como “Idade das Trevas” uma época se em violência (objeto desse julgamento) nós a superamos? Estão aí as duas grandes guerras com todas as suas marcas deixadas, como Auschwitz, para nos desmentir. Estão aí as nossas guerras contemporâneas, diárias, promovidas por nossos sistemas injustos, assassinos. Estão aí as manifestações diárias de preconceito e intolerância, das quais foi vítima a angolana.
                Avançamos em ciência e tecnologia, reduzimos o mundo ao tamanho de um chip, mas não encontramos remédio para uma doença que corrói nossas almas e talvez seja a única que, ao nos atingirmos, faz vítima aquele a quem julgamos diferente, ferindo-o, matando-o, marginalizando-o. Falo do etnocentrismo, essa velha tática de sobrepormos nossa cultura, nossa forma de pensar, de ser, de agir ao do outro para oprimi-lo, levarmos vantagem. Nossa hipocrisia tinge de sangue e vergonha nossa história.

Um comentário:

ERICA MONTENEGRO - Professora e Cordelista disse...

Ana, você é surpreendentemente maravilhosa! Excelente texto! Obrigada por nos brindar com a beleza de suas palavras e com a certeza de que somos todos diferentes e é nessa diferença que a gente se encontra!